Crepes {Aveia e Polvilho}

Continuando a saga dos pequenos almoços, iniciada neste POST, hoje vamos aos crepes. E quem diz pequeno almoço, diz lanche, sobremesa e até almoço/jantar e por aí em diante... Versáteis, muito versáteis. Asseguro, definitivamente que estes crepes não ficam absolutamente nada a dever aos "normais"... A diferença? Está na farinha usada, de não terem gordura, e muito, mas muito pouco açúcar (na versão doce). Não têm lactose, nem glúten, mais fibra, e isso já os torna mais saudáveis. Quanto às calorias, embora em menor quantidade, estão lá na mesma,  mas isto também não pode ser todos os dias, e seguramente é melhor que o Sr. Pão.
Têm a vantagem de podermos fazer muitos e congelar, depois é só ir tirando à medida (É perigoso, eu sei!! :) )

| Crepes de Aveia e Polvilho |
Ingredientes (Faz 8 a 10 crepes)
| 2 Ovos
| 2 c.s. rasas de polvilho doce (fécula de mandioca)
| 4 c.s. farinha de aveia
| +- 100 ml Leite de amêndoa (ou outro leite vegetal)
| 1 pitada de sal
| 2 c.chá açúcar mascavado ou mel (para crepes doces, se forem salgados, não juntar)

Método tradicional
1. Bater os ovos com uma vara de arames com o sal e o açúcar ou mel.
2. Juntar as farinhas e bater bem.
3. Ir juntando o leite e mexendo, até ficar um creme fininho, mas homogéneo. A quantidade de leite pode ser ajustada. O objectivo é ficar uma massa quase liquida, para fazer crepes bem fininhos.
4. Aquecer bem uma frigideira anti-aderente, e pincelar com manteiga. (Eu costumo colocar a manteiga e quando derrete, limpo o excesso com um pedaço de papel de cozinha. Depois, vou passando esse papel pela frigideira, antes de cada crepe)
5. Com uma concha, deitar um pouco de massa, agitar a frigideira, para que fique bem fininho. Assim que começar a ganhar uns buraquinhos (cerca de 1 min), com a ajuda de uma espátula, virar, deixar mais um minuto, e retirar.
6. Repetir até acabar a massa. (Renderam 10, mas a frigideira era pequena)

Com liquidíficador ou robot de cozinha (Bimby)
Juntar todos os ingredientes, excepto o leite, e bater bem (Bimby: 1 min, vel 5)
Ir juntando o leite pelo bucal (Vel 3/4) até que tenha a textura desejada.

Servir, acompanhado com o que a imaginação, e a balança permitir :)
Neste caso, reguei com um fiozinho de mel e canela, e acompanhei com abacate, nozes e morangos.
Ficam também óptimos, na versão salgada, recheados com o que houver, e acompanhados de uma bela salada.

 Bom apetite e bons "Postiscos"! 


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Obrigada!

Waffles {Aveia & Alfarroba}

Conforme prometido, cá estou com a segunda receita da minha mais recente "aquisição": "Pequenos Almoços Diferentes e Saudáveis", que já vos falei neste POST.
Waffles sem glúten, sem lactose e sem açúcar. Não são isentos de hidratos de carbono (isso também já era pedir o impossível) mas são seguramente muitíssimo mais saudáveis e menos calóricos.
Nunca gostei de aveia, ou achava que não gostava. As famosas papas de aveia que já tentei tantas vezes e tantas versões, não vão nem de "molho de tomate". Não consigo. Mas a farinha de aveia, tem-me surpreendido, pois em determinadas receitas substitui perfeitamente a de trigo, sem se notar praticamente diferença. 
Mas e então, quais as diferenças entre estes waffles e os tradicionais?
As farinhas - Aveia e Mandioca Vs Trigo
Em termos de hidratos de carbono, a aveia é quase tão calórica quanto o trigo. A grande diferença está nas fibras que é 5x superior, e no glúten que se pode considerar (quase) isenta. Na verdade, para quem seja realmente intolerante, a aveia que se encontra no supermercado, uma vez que muitas vezes é tratada junto do trigo e outros cereais pode conter glúten, portanto se não disser na embalagem, claramente "isento de glúten" não se pode considerar assim.
O amido de mandica (O polvilho doce), é um espessante, que auxilia as farinhas sem glúten a atingirem uma textura semelhante à de trigo. 
A Alfarroba vs Cacau
A alfarroba em farinha, é um óptimo substituto do cacau. E o que é que ganhamos com a substituição?
A alfarroba tem 7% de gordura e o cacau 23%.
Para 1 colher de sopa, cerca de 10g:
Calorias:  90 do cacau X 40 da alfarroba
Hidratos de carbono: 2,8 g do cacau X 8,9 g da alfarroba
Proteínas: 3 g do cacau X 0 g da alfarroba
Gorduras: 1 g do cacau  X 0 g da alfarroba
Fibras: 0 g do chocolate X 1 g da alfarroba
A banana
A banana tem como função, reduzir a quantidade de farinha, trazendo mais fibra e magnésio, e dá um toque doce natural, evitando juntar açúcar.
O Leite de Amêndoa
Na verdade não se poderá considerar leite. É uma bebida vegetal, mas que substitui muito bem o leite, com a vantagem de não conter lactose.

Posto isto, vamos à receita?


| Waffles de Aveia & Alfarroba |
Ingredientes (Para 6 Waffles)
| 2 Ovos
| 1 Banana madura
| 3 c.s. rasas de Farinha de aveia
| 2 c.s. rasas de Polvilho doce
| 3 ou 4 c.s. leite de amêndoa (ou outro leite vegetal)
| 2 c.s. Manteiga derretida
| 1 c.chá rasa de fermento em pó químico
| 1 c.s. Farinha de Alfarroba (opcional, apenas se quiser "fingir" o chocolate)


Método tradicional
1. Desfazer muito bem a banana. Juntar os ovos e bater com uma vara de arames.
2. Ir juntando os restantes ingredientes, deixando para o o final o fermento. A massa deve ficar macia mas grossa. Poderá ser necessário juntar mais um pouco de leite)
3. Ligar a maquina de waffles, e assim que estiver bem quente, deitar um pouco de massa ao centro. fechar a máquina, e aguardar 1 ou 2 minutos. Verificar se está cozido, e tirar. (O tempo de cozedura, dependerá da máquina)
4. Repetir até terminar a massa.

Com liquidíficador ou robot de cozinha (Bimby)
1. Bater a banana com os ovos, até estar um creme uniforme (Bimby - 20 seg, vel 5)
2. Juntar os restantes ingredientes, deixando o fermento para o final, e bater até estar um massa lisa, macia, mas grossa (poderá ser necessário juntar mais um pouco de leite) (Bimby - 30seg, vel 4/5) 
3. Ligar a maquina de waffles, e assim que estiver bem quente, deitar um pouco de massa ao centro. fechar a máquina, e aguardar 1 ou 2 minutos. Verificar se está cozido, e tirar.  (O tempo de cozedura, dependerá da máquina)
4. Repetir até terminar a massa.

Neste caso, fiz uns waffles simples, sem a alfarroba, e a meio juntei a farinha de alfarroba, para fazer os restantes.

Para servir, juntei um fiozinho de mel, meia nectarina, miolo de noz, canela, e uma fatia pequena de presunto magra e outra de queijo flamengo magro.
Acompanhei com uma chávena de leite de amêndoa com café expresso, sem açúcar.

Nota:
As informações e dados referidos, foram resultados de pesquisa na Internet. Não tenho qualquer tipo de formação em nutrição.

Pequenos Almoços {As novas opções do meu inicio de dia}


Desde há um tempo para cá que tenho andando a pensar seriamente em alterar de alguma forma a minha alimentação. A lactose é daquelas coisas que sei de antemão, que o meu organismo não tolera. Talvez por isso nunca tenha gostado de leite ... nem de iogurtes. Sempre que os ingiro fico uma sensação de enfartamento, azia, etc... Hoje chego à conclusão, que vivi toda a vida assim. Habituei-me e aprendi a viver com azia. Há uns anos, e porque a minha filha também é intolerante à lactose, começámos a consumir leite sem lactose. Melhorou substancialmente. Ainda assim, a mistura com o café matinal, continuava a trazer o enfartamento (O café é-me imprescindível. Se não o tomar até às 10/11h da manhã a enxaqueca é certa) Decidi então mudar o leite. Não bastava não ter lactose, tinha que experimentar o "leites" vegetais. Comecei pelo de soja. Não consegui. Passei para os de arroz... de aveia... de coco... não aprovaram. Até que por último fui ao de amêndoa. Adorei. Misturado com o café bem carregado, é maravilhoso... assim só, sem sequer levar açúcar ou adoçante. Bebida matinal definida.
Passei então à etapa seguinte. O pão. A minha perdição. Tenho tentado a todo o custo, não querer ver, mas o glúten também não é, de todo, o meu melhor amigo. Dispensar a massa e o arroz, ainda que comendo ocasionalmente, é mais ou menos fácil. Mas não me tirem o pão. De manhã preciso de pão! ... Só que não!...
Na verdade, esta última semana, e depois de começar a seguir um grupo de alimentação "Paleo" comecei a cobiçar aqueles pequenos almoços. Percebi que existem alternativas muito boas, na verdade até melhores. Não consigo e não quero seguir aquele tipo de regime alimentar. Eu sou "boca santa" e do mundo, e gosto de ter uma alimentação variada, não andar demasiado presa a estilos ou regras fechadas. Isto posso... isto não posso... não é para mim. Mas não condeno quem o faça. Percebi de facto que se restringir a lactose, o glúten (que é como quem diz grande parte dos cereais e farinhas), e o açúcar, é o suficiente para me sentir substancialmente melhor, com mais energia, menos inchada, sem enfartamentos e azias, então porque não seguir esse caminho? Não digo que nunca mais como pão, farinha, arroz, massas e seus familiares, estaria a mentir, especialmente a mim mesma, mas vou seguramente reduzi-los consideravelmente.

O ponto de partida tem sido o "leite de amêndoa", a mandioca, a aveia, a alfarroba e os ovos, O mel, e quando tem que ser o açucar mascavado. Fruta, que dá uma frescura matinal (tendo em conta a abundância que temos no verão, era quase um crime deixá-la de parte), frutos secos, que diz que são bons para o coração e ajudam a saciar mais tempo. Canela e ervas aromatizadas para o toque especial...

Nesta fase inicial, não tenho estado muito preocupada com o peso "calórico" das misturas que faço. Tenho para mim que são de certeza mais saudáveis e menos "nocivas". Saciam mais, e tenho conseguido manter-me afastada do arroz, da massa e das batatas no almoço e jantar, ficando-me pela carne e peixe com saladas e/ou legumes. Já não é nada mau!

Este texto "Introdução à dieta Paleo" do blog "Sem Aditivos" tem uma forma de expor o assunto bastante interessante, descontraída e sem grandes fundamentalismos.
A explicação de porque é que começámos a alimentar-nos de cereais... é muito boa...
"...E agora a grande questão! Porque é que passámos a basear a nossa alimentação em cereais? Porque são baratos, aguentam muito tempo sem apodrecer comparativamente à carne, peixe e vegetais, fornecem energia mais rápido que a gordura e promovem uma ilusão de saciedade. Porquê ilusão? Porque na verdade é inchaço. Quando vemos imagens de pessoas subnutridas, alimentadas pela ajuda internacional, são normalmente extremamente magras mas com estômagos inchados. Isto acontece porque os dois alimentos mais doados e fáceis de armazenar são farinha e arroz. Acontece que são desprovidos de nutrientes (daí a magreza), mas enchem e dão a ilusão de saciedade (daí o estômago dilatado). Outro exemplo, se queremos engordar um animal (porco, vaca, galinha) damos-lhe gordura? Nope, cereais e farinhas. É por isso que hoje em dia cozinhamos um bife e ele perde metade do seu tamanho em água, é só inchaço para aumentar volume.
Uma das primeiras consequências de cortar com os hidratos (sim, significa cortar com TODOS, até a torradinha de pão integral ao pequeno-almoço) é desinchar, experimentem. ..."

Portanto, e como forma de comemorar estas minhas descobertas... vou deixar-vos a minha primeira receita, e nos posts seguintes, as restantes experiências...
|TAPIOCA|
Comecei com a tapioca. Não é mais que uma espécie de crepe, muito comum no Brasil, e que desde sempre me aguça a curiosidade.
Não é mais que um crepe feito exclusivamente com fécula de mandioca hidratada, que com o calor da frigideira se funde e une. 
No Brasil, do que percebo, vende-se esta farinha já hidratada, basta usar diretamente. Como alternativa, teremos que hidratar a fécula de mandioca, antes de a cozinhar. Descobri que "polvilho doce" umas embalagens que sempre se meteram comigo, mas que nunca comprei porque não sabia o que fazer com elas, não é mais que a dita fécula.
Pesquisei, e percebi que era tão fácil fazer a tapioca que não resisti.
Então é assim:

|TAPIOCA|
Ingredientes (para várias crepiocas):
| 125 g de polvilho doce
| 75 g de água
| Recheio a gosto (doce ou salgado) 

Método:
1. Colocar o polvilho numa taça, e ir deitando a água e mexendo com um garfo. Começa por ficar uma pasta dura tipo "cal", mas que no final esfarela, e transforma o polvilho que é um pó muito fininho, num granulado.
- Se a água for demasiada, é só juntar mais um pouco de polvilho até atingir esse ponto esfarelado.
- Se for para fazer apenas uma tapioca, basta juntar 3 colheres de sopa de polvilho, com 2 c.s de água mal cheias.
2. Com a ajuda de um passador de rede, peneirar o granulado, directamente para uma frigideira anti-aderente, de forma a ficar uma camada fina, mas que tape bem todo o fundo de uma forma uniforme.
3. Levar ao lume, e esperar cerca de 1 a 2 minutos até que se começa a notar os bordos a levantar. Nessa altura com uma espátula e cuidado, vira-se a tapioca.
4. Coloca-se o recheio que se pretende em metade, e vira-se por cima a outra parte. 
5. Serve-se de imediato.

Neste caso, para o recheio, barrei com um pouco de mousse de queijo de nozes (da président) e coloquei uma fatia fina de presunto magro, polvilhei no final com óregãos.

Acompanhei com um pêssego fatiado, e miolo de noz, e claro o meu galão de leite de amêndoa e café [sem açucar]. 

Tão rápido quanto fazer torradas, ou uma tosta mista... e tão melhor! Adorei.

Bom apetite, e bons... Pequenos Almoços!

Tarte Pastel de Nata com Maçã

Adoro sobremesas com maçã. Folhados, crumble, bolos, tartes e por aí... Habitualmente faço a tarte de maçã simples, apenas a massa e a fruta, sem outros recheios. Mas há dias vi um receita que me chamou a atenção, levava um creme tipo pasteleiro, mas que não necessita de cozinhar antes. É misturar tudo e forno. Assim que tive uma oportunidade, experimentei. De sabor ficou muito boa, mas não gostei nadinha da textura. Ficou um recheio talhado. Nada que eu não imaginasse que fosse ocorrer... É por esse motivo que o creme se cozinha antes, pois a temperatura alta do forno talha os ovos. Mas ok, tem que se arriscar. Não sou de desistir, e por isso tive que repetir. Desta vez decidi que devia cozinhar o creme antes. Adaptei a receita, e usei um recheio tipo o da tarte pastel de nata. Agora sim, correu bem. Ficou bem cremosa, e a combinação com a maçã fica perfeita.
Portanto temos mais uma tarte de maçã a juntar às já publicadas AQUI e AQUI! 
E faz-se assim:

Ingredientes
| 1 Placa de massa folhada
| 3 ou 4 Maçãs
| 1 Ovo
| 4 Gemas
|160 g Açucar
| 400 ml Leite
| 100 ml Água
| 30 g Amido de Milho (Maisena)
| 1 pau de canela
| 1 Limão  - casca de limão e sumo
| Gotas de aroma de baunilha (opcional)
| Canela em pó
|Açúcar em pó

Método (by Bimby)
1. Pré-aquecer o forno a 190ºC.
2. No copo da bimby, deitar, pesando com a balança, o leite, a água, o açúcar, a maisena. Juntar o ovo, as gemas e a baunilha. 30 seg. vel. 4
4. Colocar a borboleta, juntar o pau de canela e a casca de limão. Programar 9 a 10 min. 90ºC Vel. 1 1/2
5. Verificar se o preparado está bem cremoso. Retirar para uma taça e deixar arrefecer.
6. Enquanto se prepara o creme,  descascar e descaroçar as maçãs. Fatiar bem fininhas e regar com sumo de limão para não oxidarem.
7. Untar e forrar uma tarteira de fundo amovível com a massa folhada. Picar o fundo com um garfo.
8. Deitar o creme, e dispor por cima as fatias da maçã. Polvilhar com canela.
9. Levar ao forno, na parte mais baixa, cerca de 20 minutos. Passar para a parte mais alta só para a maçã dourar, cerca de mais 10 minutos.

Método (tradicional)
1. Pré-aquecer o forno a 190ºC.
2. Num tacho, aquecer o leite com o pau de canela e a casca de limão, até ferver.
3. Numa taça, misturar o açúcar com a maisena e mexer. Juntar o ovo, as gemas e a baunilha. Mexer bem, sem bater.
4. Deitar o leite em fio mexendo sempre. Levar o preparado ao lume, num tacho mexendo sempre até engrossar.
5. Retirar do lume, e colocar o tacho em água fria, ou retirar o creme para uma taça, para parar a cozedura. Deixar amornar.
6. Descascar e descaroçar as maçãs. Fatiar bem fininhas e regar com sumo de limão para não oxidarem.
7. Untar e forrar uma tarteira de fundo amovível com a massa folhada. Picar o fundo com um garfo.
8. Deitar o creme, e dispor por cima as fatias da maçã. Polvilhar com canela.
9. Levar ao forno, na parte mais baixa, cerca de 20 minutos. Passar para a parte mais alta só para a maçã dourar, cerca de mais 10 minutos.

Servir a tarte polvilhada com açúcar em pó. Se estiver morna, fica óptima a acompanhar com uma bola de gelado.

Bom apetite e 'bons postiscos'!

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Obrigada!



Açorda de Beldroegas {Queijo curado de cabra}

Há  já algum tempo que não vos trago uma açorda. No Alentejo, apesar do calor, as açordas não param. Até porque é no verão que há mais ingredientes da "horta". É o tomate bem madurinho, para as Açordas de tomate, nas suas mais variadíssimas versões, e neste caso as Beldroegas.
Beldroegas...ou "Balduregas" na gíria alentejana, é uma erva que nasce "a bravo", considerada até uma erva daninha e infestante. Cresce em canteiros e entre outras plantas. Tem folhas e caule carnudos e um sabor inigualável. Hoje em dia já se cultiva, mas cá em casa come-se a que nasce por si, quando é sua época.
É uma planta com muitíssimos benefícios para a saúde: 
As folhas de beldroegas, por serem ricas em vitaminas e sais minerais, apresentam vários benefícios nutricionais:  A vitamina A contribui para a boa visão e para o sistema imunológico. As vitaminas do complexo B são esseciais na digestão e absorção de vários nutrientes. As vitaminas C e E possuem um grande potencial antioxidante, prevenindo diversos tipos de doenças. Tem elevado teor de magnésio, e é importante para a saúde muscular e óssea. É boa fonte de cálcio, potássio (controlo da pressão arterial), ferro (transporte celular de oxigénio) e zinco (saúde imunitária). É ainda muito rica em ácidos gordos ómega-3 (ácido alfa-linolénico)
A forma de cozinhar as beldroegas, são habitualmente duas. Em sopa, num creme de legumes com as suas folhas, ou em Açorda, que é como quem diz, sopas de pão. No seu caldo coze-se queijo de cabra curado e ovo escalfado. Simples assim, como se quer no no Alentejo. É um prato "pobre", mas o seu sabor, bate certamente muitos pratos de alta cozinha. É comida de conforto, e isso já diz tudo.
E como é que se faz?
Eu faço como desde sempre vi fazer...É daquelas coisas meio "a olho", e depende mesmo do toque pessoal.
Vão lá apanhar um molhinho delas e ... mãos na massa :)

Ingredientes (Serve 4)
| 1 bom molho de beldroegas
|2 batatas médias
|1 cabeça de alhos
|1/2 cebola
|2 queijos de cabra curados (dos duros)
|4 ovos (preferencialmente biológicos)
|Pão alentejano duro
|Azeite q.b.
|Sal q.b.
|Colorau q.b.
| 1 folha de louro

Método:
1. Arranjar as beldroegas, descartando os talos mais grossos. Colocar num alguidar com água para irem perdendo a terra, e lavar bem. 
2. Descascar as batatas e cortar em rodelas. Lavar e cortar cada queijo em quartos. Reservar.
2. Num tacho, cobrir o fundo com azeite, juntar uma cabeça de alhos inteira, arranjada e lavada (sem a pele exterior, mantendo apenas a pele dos dentes de alho), a cebola picadinha e a folha de louro. Levar ao lume alto, até refogar um pouco.
3. Juntar as beldroegas, temperar de sal e colorau. Envolver e deixar amolecer.
4. Juntar as batatas e o queijo. Tapar com água (preferencialmente já a ferver), deixar cozinhar até as batatas estarem mesmo quase. (Cerca de 10 minutos)
5. Rectificar a quantidade de água (de forma a que seja a suficiente para fazer o caldo da açorda) e os temperos.
6. Abrir os ovos um a um e juntar com cuidado. Deixar cozer.
7. Para uma travessa, tirar os ovos, as batatas, o queijo e a cabeça de alho, e servir a acompanhar o caldo bem quente, sobre fatias de pão fininhas.

Bom apetite e bons "Postiscos"!

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Obrigada!