Feijoada de Bacalhau e uma Nova Aventura!







O Verão ainda não acabou, e até parece que o fim-de-semana se avizinha quente. Mas de alguma forma temos que ir fazendo a despedida, e admitir que o outono está já a querer bater à porta. Começa a apetecer comidinha de conforto, com um caldinho, bem à moda alentejana. 
Há um tempo atrás, recebi mais um convite, algo inesperado, para mais um desafio. Um Showcooking, no âmbito do "Clube dos Sabores" em pleno Centro Comercial, no Alegro de Setúbal. Fiquei feliz, e mais uma vez com a certeza que a pouco e pouco, sem grandes pressas, o nosso empenho e dedicação vai-nos brindando e reconhecendo. Aceitei de muito bom grado, e definimos o tema: "Sabores de Outono". 
É portanto um bom pretexto para, sem grande pena, de dizer adeus ao verão e começar a pensar na tal comidinha de conforto. Para o showcooking, o mote vai ser "Castanhas", e conto com a colaboração de alguns parceiros do blogue [ Sweetcastanea , Amálgama , Aromas d'Oureana ]. Será com muito prazer que vou utilizar os seus produtos nas receitas a apresentar ... Pronto, e mais não posso contar, terão que lá ir.... 
8 de Outubro | 16h | Alegro Setúbal
Inscrições gratuitas AQUI!
Sabores de Outono - INSCRIÇÕES 
Entretanto, e antes de passarmos às castanhas, deixo-vos com uma receita que já não cozinhava há bastante tempo, mas que adoro. Combinação aparentemente improvável, mas que funciona tão bem. Muito mais leve que uma feijoada de carnes e enchidos mas igualmente, se não mais apetitosa. Fácil e rápido de fazer. Perfeito, assim para um almoço de domingo.

Um bom fim-de-semana a todos... e bons "Postiscos"! [No dia 8 lá vos espero!!! ;) ]

| Feijoada de Bacalhau |

Ingredientes (Serve 3 /4)
| 3 a 4 postas de bacalhau tradicional ou lombo (demolhado)
| Miolo de camarão ou camarões inteiros (opcional e a gosto)
| 500 g de feijão manteiga cozido (se for de compra, 1 frasco)
| 1 cenoura
| 1 ou 2 tomates maduros
| 1 tira de pimento verde e/ou vermelho
| 1 copo de vinho branco
| 1 cebola
| 2 dentes de alho
| Sal q.b
| Salsa fresca q.b.
| Coentros frescos q.b.
| 1 malagueta pequena (fresca ou seca)
| 1 folha de louro
| Azeite q.b.

Método
1. Picar finamente a cebola,o dente de alho, e a salsa. Arranjar a cenoura e cortar em cubinhos, assim como o pimento. 
2. Deitar tudo num tacho, juntar um pouco de azeite e a folha de louro. Levar ao lume.
3. Assim que a cebola começar a transparecer, mexer, refrescar com vinho branco, para não deixar refogar, mas cozinhar os legumes. Cerca de 5 minutos.
4. Entretanto, pelar e picar o tomate, descartando as sementes. Juntar ao tacho. Deixar cozinhar mais uns minutos, juntando mais um pouco de vinho branco, se necessário.
5. Cortar o bacalhau em pedaços e juntar ao cozinhado. Deitar o restante vinho branco e se necessário um pouquinho de água. O Bacalhau não deve ficar coberto, deve ficar apenas um caldinho no fundo do tacho. Tapar e deixar cozinhar, cerca de 10 minutos.
6. Juntar o feijão, envolver e retificar o sal. (Até aqui ainda não juntámos sal, porque o bacalhau e o feijão cozido já têm) Envolver com cuidado, juntar a malagueta e os camarões. Deixar apurar uns minutos, de forma ao feijão absorver os sabores.
7. Polvilhar com coentros, e manter o tacho tapado, uns 10 minutos antes de servir.

Servir só a feijoada, ou acompanhada de arroz branco.

Bom apetite e bons "Postiscos"! 

Se gostou, e quer guardar ou imprimir, clique no botão "Print" no final do post. 
Obrigada!

Espiral de Courgette & Hamburguer de Frango

Acabaram as férias, e com elas chega a altura de começar a entrar nas rotinas e pôr de parte os excessos. Além dos pequenos almoços, que já vos falei em posts anteriores, as refeições principais precisam também de um refresh. Ás vezes basta apenas simplificar. Carne ou peixe e legumes não tem necessariamente que ser o básico, cozido ou grelhado, pode ser simples, mas ao mesmo tempo variado e de aspecto e sabores bem apelativos.
Cá em casa, não é hábito entrarem hamburgueres pré-feitos. Gosto de escolher a carne, juntar os ingredientes e moldá-los ao meu gosto. No talho de cá também é possível adquiri-los escolhendo a carne, que é picada e moldada na hora, mas na verdade gosto mais dos "meus", que não ficam tão secos, mas isso já explico na receita.
Estes que hoje vos trago, foram integralmente feitos em casa, pois até a carne foi picada por mim. Suculentos e tão bons.
Quanto ao "esparguete", aderi à nova moda do espiralizador, que nos permite transformar os legumes em fios. Na verdade não se trata de esparguete, mas como os olhos são os primeiros a comer, o aspecto idêntico, dá logo uns pontinhos de avanço no apetite com que iniciamos a refeição. Desta vez, saiu o já badalado espiral de courgette. Fica ligeiramente crocante mas macio. É top, e é um acompanhamento que vai bem com quase tudo.
Esta receitinha vai direto para o separador das "Ligeiras|Saudáveis". É rápida, prática, perfeita para uma marmita de trabalho. E os hamburgueres sendo feitos em maior quantidade é só congelar e para a próxima, saltam direto para o fogão.

Espero que gostem.

| Espiral de Courgette & Hambúrguer de Frango |

Ingredientes (Serve 4) 
Hamburgueres
| 2 ou 3 peitos de frango
| Meia bolinha de mistura (ou uma fatia de pão, sem côdea)
| 1 copo de leite (pode ser vegetal, ou sem lactose)
| Sal q.b.
| Alho em pó q.b.
| Mistura de alho com ervas aromáticas q.b. [ou ervas a gosto, bem picadinhas]
| Azeite q.b.
| 3 dentes de alho
| 1 c.chá mostarda
| 150 ml Cerveja (ou a gosto) (pode ser vinho branco)
| 100 ml Leite 

Espiral 
| 2 courgettes
| Mistura de alho com ervas aromáticas q.b.
| Alho em pó q.b.
| 2 c.s. Azeite 
| Flor de Sal q.b.

Método:

Hamburgueres
Com bimby
1.Colocar os peitos de frango em pedaços no copo, e picar uns segundos, vel 4 ou 5. Retirar e reservar numa taça.
2. Deitar o leite no copo e programar, 1 min, vel 1 ou 2, temp. 50ºc.
3. Juntar o pão, e fazer uma papa. 30 seg. vel 3. (Deve ficar uma papa com consistência de açorda. Poderá ter que juntar mais pão, ou mais leite.)
4. Voltar a juntar a carne, o alho em pó, as ervas aromáticas e o sal. Misturar cerca 30 seg. colher inversa, até ficar uma mistura uniforme.
5. Moldar os hamburgueres, com as mãos (ou máquina própria).

Tradicional
1. Picar a carne de frango à mão, usando duas facas iguais, paralelas, ou num robot de cozinha. Em alternativa, comprar, no talho os peitos de frango já picados, mas sem temperos ou outros ingredientes (As embalagem de carne picada que se encontram à venda, normalmente já trazem temperos)
2. Amornar o leite, e juntar o pão. Desfazer bem com uma colher, ou mesmo à mão, ficando uma papa grossa.
3. Juntar à carne o pão, e os temperos (o alho em pó, as ervas aromáticas e o sal). Misturar tudo muito bem, até ficar uma massa uniforme.
4. Moldar os hamburgueres, com as mãos (ou máquina própria).

Para cozinhar
1. Num frigideira, deitar o azeite e os dentes de alho esmagados em em fatias e a mostarda. Deixar aquecer.
2. Colocar os hamburgueres, e deixar cozinhar, 1 ou 2 minutos.
3. Virar a carne e juntar a cerveja. Deixar cozinhar mais uns minutos, até estarem passados. Se necessário junta-se mais um pouco de cerveja, mas depois tem que se deixar ferver para evaporar o alcool.
4. Juntar o leite e deixar ferver. até o molho engrossar um pouco.
Reservar, ou servir.

Espiral 
| 2 courgettes
| Mistura de alho com ervas aromáticas q.b.
| Alho em pó q.b.
| 2 c.s. Azeite 
| Flor de Sal q.b.

1. Lavar e cortar os topos às courgettes, passá-las num espiralizador. Reservar num passador, para ficar o mais seco possível.
2. Aquecer muito bem um wok, ou uma frigideira anti-aderente bem larga. Juntar o azeite.
3. Deitar a courgette, e os temperos a gosto (flor de sal, alho em pó e as ervas aromáticas secas)
4. Envolver bem, com a ajuda de uma pinça, de forma a tentar não partir os fios da courgette, salteando por 1 a 2 minutos no máximo, em temperatura bem alta. Se cozinhar demais, fica mole e começa a perder água. É mesmo muito rápido.

Servir!

Bom apetite e bons "Postiscos"! 

Se gostou, e quer guardar ou imprimir, clique no botão "Print" no final do post. Obrigada!

Notas:
1. O facto de juntar o pão com o leite à carne, ajuda a unir a carne, tornando no final o hamburguer muito mais suculento. Ainda mais estes, que são feitos só com carne de magra e à partida mais seca.
3. O uso de leite no final, dá um toque aveludado ao molho, ficando mais saudável mas muito idêntico às natas.
2. A courgette, deve cozinhar mesmo muito pouco tempo, é praticamente só "aquecida". Mais um minuto e transforma-se numa "papa" mole e cheia de água.




Crepes {Aveia e Polvilho}

Continuando a saga dos pequenos almoços, iniciada neste POST, hoje vamos aos crepes. E quem diz pequeno almoço, diz lanche, sobremesa e até almoço/jantar e por aí em diante... Versáteis, muito versáteis. Asseguro, definitivamente que estes crepes não ficam absolutamente nada a dever aos "normais"... A diferença? Está na farinha usada, de não terem gordura, e muito, mas muito pouco açúcar (na versão doce). Não têm lactose, nem glúten, mais fibra, e isso já os torna mais saudáveis. Quanto às calorias, embora em menor quantidade, estão lá na mesma,  mas isto também não pode ser todos os dias, e seguramente é melhor que o Sr. Pão.
Têm a vantagem de podermos fazer muitos e congelar, depois é só ir tirando à medida (É perigoso, eu sei!! :) )

| Crepes de Aveia e Polvilho |
Ingredientes (Faz 8 a 10 crepes)
| 2 Ovos
| 2 c.s. rasas de polvilho doce (fécula de mandioca)
| 4 c.s. farinha de aveia
| +- 100 ml Leite de amêndoa (ou outro leite vegetal)
| 1 pitada de sal
| 2 c.chá açúcar mascavado ou mel (para crepes doces, se forem salgados, não juntar)

Método tradicional
1. Bater os ovos com uma vara de arames com o sal e o açúcar ou mel.
2. Juntar as farinhas e bater bem.
3. Ir juntando o leite e mexendo, até ficar um creme fininho, mas homogéneo. A quantidade de leite pode ser ajustada. O objectivo é ficar uma massa quase liquida, para fazer crepes bem fininhos.
4. Aquecer bem uma frigideira anti-aderente, e pincelar com manteiga. (Eu costumo colocar a manteiga e quando derrete, limpo o excesso com um pedaço de papel de cozinha. Depois, vou passando esse papel pela frigideira, antes de cada crepe)
5. Com uma concha, deitar um pouco de massa, agitar a frigideira, para que fique bem fininho. Assim que começar a ganhar uns buraquinhos (cerca de 1 min), com a ajuda de uma espátula, virar, deixar mais um minuto, e retirar.
6. Repetir até acabar a massa. (Renderam 10, mas a frigideira era pequena)

Com liquidíficador ou robot de cozinha (Bimby)
Juntar todos os ingredientes, excepto o leite, e bater bem (Bimby: 1 min, vel 5)
Ir juntando o leite pelo bucal (Vel 3/4) até que tenha a textura desejada.

Servir, acompanhado com o que a imaginação, e a balança permitir :)
Neste caso, reguei com um fiozinho de mel e canela, e acompanhei com abacate, nozes e morangos.
Ficam também óptimos, na versão salgada, recheados com o que houver, e acompanhados de uma bela salada.

 Bom apetite e bons "Postiscos"! 


Se gostou, e quer guardar ou imprimir, clique no botão "Print" no final do post. 
Obrigada!

Waffles {Aveia & Alfarroba}

Conforme prometido, cá estou com a segunda receita da minha mais recente "aquisição": "Pequenos Almoços Diferentes e Saudáveis", que já vos falei neste POST.
Waffles sem glúten, sem lactose e sem açúcar. Não são isentos de hidratos de carbono (isso também já era pedir o impossível) mas são seguramente muitíssimo mais saudáveis e menos calóricos.
Nunca gostei de aveia, ou achava que não gostava. As famosas papas de aveia que já tentei tantas vezes e tantas versões, não vão nem de "molho de tomate". Não consigo. Mas a farinha de aveia, tem-me surpreendido, pois em determinadas receitas substitui perfeitamente a de trigo, sem se notar praticamente diferença. 
Mas e então, quais as diferenças entre estes waffles e os tradicionais?
As farinhas - Aveia e Mandioca Vs Trigo
Em termos de hidratos de carbono, a aveia é quase tão calórica quanto o trigo. A grande diferença está nas fibras que é 5x superior, e no glúten que se pode considerar (quase) isenta. Na verdade, para quem seja realmente intolerante, a aveia que se encontra no supermercado, uma vez que muitas vezes é tratada junto do trigo e outros cereais pode conter glúten, portanto se não disser na embalagem, claramente "isento de glúten" não se pode considerar assim.
O amido de mandica (O polvilho doce), é um espessante, que auxilia as farinhas sem glúten a atingirem uma textura semelhante à de trigo. 
A Alfarroba vs Cacau
A alfarroba em farinha, é um óptimo substituto do cacau. E o que é que ganhamos com a substituição?
A alfarroba tem 7% de gordura e o cacau 23%.
Para 1 colher de sopa, cerca de 10g:
Calorias:  90 do cacau X 40 da alfarroba
Hidratos de carbono: 2,8 g do cacau X 8,9 g da alfarroba
Proteínas: 3 g do cacau X 0 g da alfarroba
Gorduras: 1 g do cacau  X 0 g da alfarroba
Fibras: 0 g do chocolate X 1 g da alfarroba
A banana
A banana tem como função, reduzir a quantidade de farinha, trazendo mais fibra e magnésio, e dá um toque doce natural, evitando juntar açúcar.
O Leite de Amêndoa
Na verdade não se poderá considerar leite. É uma bebida vegetal, mas que substitui muito bem o leite, com a vantagem de não conter lactose.

Posto isto, vamos à receita?


| Waffles de Aveia & Alfarroba |
Ingredientes (Para 6 Waffles)
| 2 Ovos
| 1 Banana madura
| 3 c.s. rasas de Farinha de aveia
| 2 c.s. rasas de Polvilho doce
| 3 ou 4 c.s. leite de amêndoa (ou outro leite vegetal)
| 2 c.s. Manteiga derretida
| 1 c.chá rasa de fermento em pó químico
| 1 c.s. Farinha de Alfarroba (opcional, apenas se quiser "fingir" o chocolate)


Método tradicional
1. Desfazer muito bem a banana. Juntar os ovos e bater com uma vara de arames.
2. Ir juntando os restantes ingredientes, deixando para o o final o fermento. A massa deve ficar macia mas grossa. Poderá ser necessário juntar mais um pouco de leite)
3. Ligar a maquina de waffles, e assim que estiver bem quente, deitar um pouco de massa ao centro. fechar a máquina, e aguardar 1 ou 2 minutos. Verificar se está cozido, e tirar. (O tempo de cozedura, dependerá da máquina)
4. Repetir até terminar a massa.

Com liquidíficador ou robot de cozinha (Bimby)
1. Bater a banana com os ovos, até estar um creme uniforme (Bimby - 20 seg, vel 5)
2. Juntar os restantes ingredientes, deixando o fermento para o final, e bater até estar um massa lisa, macia, mas grossa (poderá ser necessário juntar mais um pouco de leite) (Bimby - 30seg, vel 4/5) 
3. Ligar a maquina de waffles, e assim que estiver bem quente, deitar um pouco de massa ao centro. fechar a máquina, e aguardar 1 ou 2 minutos. Verificar se está cozido, e tirar.  (O tempo de cozedura, dependerá da máquina)
4. Repetir até terminar a massa.

Neste caso, fiz uns waffles simples, sem a alfarroba, e a meio juntei a farinha de alfarroba, para fazer os restantes.

Para servir, juntei um fiozinho de mel, meia nectarina, miolo de noz, canela, e uma fatia pequena de presunto magra e outra de queijo flamengo magro.
Acompanhei com uma chávena de leite de amêndoa com café expresso, sem açúcar.

Nota:
As informações e dados referidos, foram resultados de pesquisa na Internet. Não tenho qualquer tipo de formação em nutrição.

Pequenos Almoços {As novas opções do meu inicio de dia}


Desde há um tempo para cá que tenho andando a pensar seriamente em alterar de alguma forma a minha alimentação. A lactose é daquelas coisas que sei de antemão, que o meu organismo não tolera. Talvez por isso nunca tenha gostado de leite ... nem de iogurtes. Sempre que os ingiro fico uma sensação de enfartamento, azia, etc... Hoje chego à conclusão, que vivi toda a vida assim. Habituei-me e aprendi a viver com azia. Há uns anos, e porque a minha filha também é intolerante à lactose, começámos a consumir leite sem lactose. Melhorou substancialmente. Ainda assim, a mistura com o café matinal, continuava a trazer o enfartamento (O café é-me imprescindível. Se não o tomar até às 10/11h da manhã a enxaqueca é certa) Decidi então mudar o leite. Não bastava não ter lactose, tinha que experimentar o "leites" vegetais. Comecei pelo de soja. Não consegui. Passei para os de arroz... de aveia... de coco... não aprovaram. Até que por último fui ao de amêndoa. Adorei. Misturado com o café bem carregado, é maravilhoso... assim só, sem sequer levar açúcar ou adoçante. Bebida matinal definida.
Passei então à etapa seguinte. O pão. A minha perdição. Tenho tentado a todo o custo, não querer ver, mas o glúten também não é, de todo, o meu melhor amigo. Dispensar a massa e o arroz, ainda que comendo ocasionalmente, é mais ou menos fácil. Mas não me tirem o pão. De manhã preciso de pão! ... Só que não!...
Na verdade, esta última semana, e depois de começar a seguir um grupo de alimentação "Paleo" comecei a cobiçar aqueles pequenos almoços. Percebi que existem alternativas muito boas, na verdade até melhores. Não consigo e não quero seguir aquele tipo de regime alimentar. Eu sou "boca santa" e do mundo, e gosto de ter uma alimentação variada, não andar demasiado presa a estilos ou regras fechadas. Isto posso... isto não posso... não é para mim. Mas não condeno quem o faça. Percebi de facto que se restringir a lactose, o glúten (que é como quem diz grande parte dos cereais e farinhas), e o açúcar, é o suficiente para me sentir substancialmente melhor, com mais energia, menos inchada, sem enfartamentos e azias, então porque não seguir esse caminho? Não digo que nunca mais como pão, farinha, arroz, massas e seus familiares, estaria a mentir, especialmente a mim mesma, mas vou seguramente reduzi-los consideravelmente.

O ponto de partida tem sido o "leite de amêndoa", a mandioca, a aveia, a alfarroba e os ovos, O mel, e quando tem que ser o açucar mascavado. Fruta, que dá uma frescura matinal (tendo em conta a abundância que temos no verão, era quase um crime deixá-la de parte), frutos secos, que diz que são bons para o coração e ajudam a saciar mais tempo. Canela e ervas aromatizadas para o toque especial...

Nesta fase inicial, não tenho estado muito preocupada com o peso "calórico" das misturas que faço. Tenho para mim que são de certeza mais saudáveis e menos "nocivas". Saciam mais, e tenho conseguido manter-me afastada do arroz, da massa e das batatas no almoço e jantar, ficando-me pela carne e peixe com saladas e/ou legumes. Já não é nada mau!

Este texto "Introdução à dieta Paleo" do blog "Sem Aditivos" tem uma forma de expor o assunto bastante interessante, descontraída e sem grandes fundamentalismos.
A explicação de porque é que começámos a alimentar-nos de cereais... é muito boa...
"...E agora a grande questão! Porque é que passámos a basear a nossa alimentação em cereais? Porque são baratos, aguentam muito tempo sem apodrecer comparativamente à carne, peixe e vegetais, fornecem energia mais rápido que a gordura e promovem uma ilusão de saciedade. Porquê ilusão? Porque na verdade é inchaço. Quando vemos imagens de pessoas subnutridas, alimentadas pela ajuda internacional, são normalmente extremamente magras mas com estômagos inchados. Isto acontece porque os dois alimentos mais doados e fáceis de armazenar são farinha e arroz. Acontece que são desprovidos de nutrientes (daí a magreza), mas enchem e dão a ilusão de saciedade (daí o estômago dilatado). Outro exemplo, se queremos engordar um animal (porco, vaca, galinha) damos-lhe gordura? Nope, cereais e farinhas. É por isso que hoje em dia cozinhamos um bife e ele perde metade do seu tamanho em água, é só inchaço para aumentar volume.
Uma das primeiras consequências de cortar com os hidratos (sim, significa cortar com TODOS, até a torradinha de pão integral ao pequeno-almoço) é desinchar, experimentem. ..."

Portanto, e como forma de comemorar estas minhas descobertas... vou deixar-vos a minha primeira receita, e nos posts seguintes, as restantes experiências...
|TAPIOCA|
Comecei com a tapioca. Não é mais que uma espécie de crepe, muito comum no Brasil, e que desde sempre me aguça a curiosidade.
Não é mais que um crepe feito exclusivamente com fécula de mandioca hidratada, que com o calor da frigideira se funde e une. 
No Brasil, do que percebo, vende-se esta farinha já hidratada, basta usar diretamente. Como alternativa, teremos que hidratar a fécula de mandioca, antes de a cozinhar. Descobri que "polvilho doce" umas embalagens que sempre se meteram comigo, mas que nunca comprei porque não sabia o que fazer com elas, não é mais que a dita fécula.
Pesquisei, e percebi que era tão fácil fazer a tapioca que não resisti.
Então é assim:

|TAPIOCA|
Ingredientes (para várias crepiocas):
| 125 g de polvilho doce
| 75 g de água
| Recheio a gosto (doce ou salgado) 

Método:
1. Colocar o polvilho numa taça, e ir deitando a água e mexendo com um garfo. Começa por ficar uma pasta dura tipo "cal", mas que no final esfarela, e transforma o polvilho que é um pó muito fininho, num granulado.
- Se a água for demasiada, é só juntar mais um pouco de polvilho até atingir esse ponto esfarelado.
- Se for para fazer apenas uma tapioca, basta juntar 3 colheres de sopa de polvilho, com 2 c.s de água mal cheias.
2. Com a ajuda de um passador de rede, peneirar o granulado, directamente para uma frigideira anti-aderente, de forma a ficar uma camada fina, mas que tape bem todo o fundo de uma forma uniforme.
3. Levar ao lume, e esperar cerca de 1 a 2 minutos até que se começa a notar os bordos a levantar. Nessa altura com uma espátula e cuidado, vira-se a tapioca.
4. Coloca-se o recheio que se pretende em metade, e vira-se por cima a outra parte. 
5. Serve-se de imediato.

Neste caso, para o recheio, barrei com um pouco de mousse de queijo de nozes (da président) e coloquei uma fatia fina de presunto magro, polvilhei no final com óregãos.

Acompanhei com um pêssego fatiado, e miolo de noz, e claro o meu galão de leite de amêndoa e café [sem açucar]. 

Tão rápido quanto fazer torradas, ou uma tosta mista... e tão melhor! Adorei.

Bom apetite, e bons... Pequenos Almoços!